Parar, olhar e ver mesmo!

by - dezembro 08, 2017

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Parar, olhar e ver mesmo, já não fazemos nada disso, limitamo-nos a correr de uma relação, o mais veloz que nos for possível, para outra, fugaz, sem sumo, sempre que nos der trabalho e nos exigir empenho, entrega, vontade de nunca perder a vontade do outro, mas com muito desejo e corpo, o mesmo que um dia se negará aos malabarismos dignos de um Kamasutra elaborado, porque agora é tudo o que parece ser importante!

Conhecermo-nos. Darmo-nos tempo para conhecer o outro, tendo-o em todas as nossas pequenas coisas e dispensando-lhe o que depois se irá reverter a nossa favor, soa a desinteressante, porque todos parecem apenas buscar as emoções que sentimos quando nos apaixonamos e a adrenalina corre veloz, intensa, mas sem qualquer consistência, porque para que algo fique, terá que ser construído, tijolo a tijolo, com muitas horas, milhões de palavras, muito toque, mas vertical, de olhar vivo, brilhante, ouvindo com atenção e falando com emoção, sem máscaras, a ser o que somos realmente para que o outro nos possa entrar e ficar.

Não sei o que "queremos" agora, e se é desta forma, tão vazia, que pensamos conseguir algo que realmente permaneça. Tudo leva a crer que não, até porque as queixas se multiplicam, os reparos sobre coisas tão minúsculas acentuam-se e passamos apenas a importar nós, o que queremos, o que dizemos, o que estamos dispostos a deixar ir, até os minutos que parecemos conceder, com aparente generosidade.

ARRE PORRA! Mas será possível que já ninguém saiba, ou sequer se lembre, de como é amar porque se ama, de como se quer o outro e se corre céu e terra para o alcançar, preocupando-se, genuinamente com o que está a sentir, se acordou bem, se está feliz, sozinho, se precisa de nós, se ainda lhe dói as costas, se tomou um bom pequenos almoço? Amar, mesmo que seja estúpido, descabido e com prazos de validade, ainda é o que importa, porque a sensação de querer alguém mais do que a nós próprios é tão grande e intensa que compensa tudo o resto, a mesquinhice, a monopolização do comando, o sofá todo ocupado, mas no qual sempre arranjamos forma de nos aninharmos, ficando mais próximos. Os beijos que sabem a um mel que abelha nenhuma alguma vez produziu, os filmes que não são comuns, mas que com algum jeito e tempo acabamos a conseguir ver em comum. O dançar, ouvindo mesmo a música e o coração que bate por nós, do lado certo, tão colado a nós que parece um, tudo e tudo de que é composto o amor e não a paixão.

Parar, olhar e ver mesmo, aceitando fazer concessões, dando e recebendo duas vezes. Desta forma, amar continuará a ser o nosso maior feito, neste e em qualquer outro mundo!

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