Avançar para o conteúdo principal

Olá a ti meu querido!




Olá meu querido,

Não é para ti esta carta, porque não a irás ler. É minha, para mim e comigo em cada palavra, porque preciso de me deixar sair, preciso de me ler para perceber o que faço por aqui e de que forma ainda me mantenho, estóica e a sentir-te assim. Acabei a lembrar-me de ti, do que foste, não para mim, porque nem eras muito, mas do que tinhas para teres o que ainda senti hoje. Acabei por perceber, sem muitas dúvidas, o que me levou até a ti e o que me trouxe de volta. Acabei por acabar com o que não conseguias, porque já te arrastavas, inseguro, assustado, sem margem para te manobrares mais, sem saídas nem reservas. Acabei por perceber que não basta amar, não serve ter quem nos sirva, quando os tempos e lugares não bastam. Acabei por me deixar ir, e que bem me soube o teu sabor, mesmo que os nossos corpos não tenham sentido tudo, afinal não houve tempo.

Tudo voltará ao ponto em que estávamos ambos, antes de sermos eu e tu. O meu espaço, o que ainda consigo construir para mim, esteve apenas sossegado a dar-te o que tinha, meu, gratuito e sem gastos, porque apenas gastei tempo, mas usando-o bem. A minha vontade de ti impediu-me de dormir, mas vou fazê-lo agora, porque voltar a casa é isto, é estar aqui onde estive sempre.

Não estou a lamentar nada. Não estou à procura de culpados. Não me estou a deixar cair, porque o trabalho de me levantar seria apenas meu e cansa andar cansada. Estou apenas a reafirmar e a confirmar-me que terminou o que talvez nem tenha sequer começado. Estou a deixar que deixes de te sentir responsável. Estou a despedir-me, apenas isso.

Para ti, de mim, como sempre fomos, apenas um. Apenas um lado. Apenas eu. Um até breve, numa outra escolha.

Lou


Comentários

Mensagens populares deste blogue

Onde fica a tua casa emocional?

Que lugar te deixa de alma serena e livre do peso do mundo? Por vezes gostava de poder voltar a " casa ", aquela onde estavam todos os que me deram motivos para viver. Não raras vezes faço pequenas incursões às "casas" onde vivi rodeada de todo o amor que fui capaz de multiplicar e consigo ver-nos de sorrisos abertos, em conversas logas e com os planos que traçávamos juntos. Gostava, TANTO , de poder regressar aos lugares que transformei na nossa casa e onde sempre reinou a paz, independentemente de todo o tumulto que o cuidado, a preocupação e o medo de mãe provocam. Gostava de poder ter só mais um dia que fosse, mas sei que teria feito tudo da mesma forma, amando até que mais nenhum amor coubesse. Já sabia, mesmo que não perdesse demasiado tempo no que seria certo, que um dia a " casa " não voltaria a ser a mesma e que até quando regressassem todos quantos me prepararam para o maior papel que jamais desempenhei, nunca mais voltariam para ficar. Resta-me

De que força somos feitos?

Somos feitos de caixas cheias de força, mesmo que fraquejemos perante o que por vezes até parece pequeno. Somos, eu, tu e nós quando juntos, todo o amor que partilhamos e fazemos crescer, mesmo quando arrisca diminuir, dia sim e dia também. Somos as pessoas certas quando nos acertamos, e as mais erradas quando perdemos o norte e nos debatemos por entrar e permanecer na normalidade. Somos a soma de tudo o que já começou por ser pouco, mas que pretendemos ver multiplicado, sem que no entanto saibamos quando e de que forma. Somos todos os lugares por onde passámos e todos aqueles que ainda saberemos construir juntos, até que outras histórias se escrevam, reescrevendo as que nos couberam viver. Somos um verdadeiro caso de estudo! O que foi que nos trouxe até ao hoje? Muita loucura. Tempos fora do tempo como o conhecíamos. Sonhos em formatos novos e ainda por documentar. Sabores que ainda precisamos de determinar, porque volta e meia amargam. Somos todos o resultado do que nos incitamos a a

Porque é que te amo, sabes?

Queres saber porque é que te amo? Amo a ideia que faço de ti e tudo o que me poderias dar, se ao menos me amasses de volta. Amo os sorrisos que nos arranco, aligeirando o que se tornou demasiado pesado para suportar. Amo os dias e as noites nos quais nos imagino juntos, sendo ambos a metade inteira que supostamente falta ao outro. Amo saber que ainda te consigo amar desta forma e que não fechei o coração ao mundo. Queres entender o que espero de quem deveria saber esperar por mim? Espero tudo o que consigo dar, não ocupando espaços desnecessários e estando apenas quando e onde fizer falta. Espero uma corrida idêntica, passadas compassadas e sonhos partilhados, mesmo que únicos e até incomuns. Espero poder deixar de esperar pelo que deverá chegar até mim sem esforço, o mesmo que não dispendo quando e enquanto te estou a amar. Queres querer-me ao teu ritmo, ao meu, ou ajustando o de ambos para que nos amemos sem atropelos? Julgo que esta resposta não necessita de qualquer desenvolvimento