black and white vintage photography - journal


São as palavras que me fazem amar! São as palavras que unem as pontas de cada um dos lugares em que já estive. São as palavras que mudam o que sinto, sempre que as digo, ouvindo cada som. São as palavras que juntas às músicas, me recordam de alguns amores perdidos e dos que ainda espero viver. São as palavras, na noite, que legendam os meus sonhos e até os pesadelos.

São as palavras que me fazem amar e amo sempre primeiro quem me toca pela capacidade de as usar. Tenho que usar palavras para explicar como me sinto, se me sentir de uma tristeza cortante, ou de uma alegria que me faz querer gritar. Tenho que conseguir dividir, com quem me ouve sem sons, ou escuta em decibéis que quase ensurdecem, quem já carrego em mim e que parecem ser mil mulheres, tantas quantas as vezes que escolho usar o que me permite viver. Tenho que saber o que sinto para o poder por em palavras e sem elas sou vazia, nua e sem qualquer interesse.

São as palavras que me fazem amar e é também com elas que permito que se instale o desamor. Palavras, tantas que já reproduzi e que aprendi a encaixar, de mansinho ou numa pressa que quase me incendiou a alma. Palavras, se não as tenho, não tenho nada de mim. Palavras com as quais me alimento e preciso que saibas que terás que as usar, sempre, se me quiseres manter.

São as palavras que me fazem amar quem fui quando ainda e apenas menina. Tanto que já cresci depois dela e tanto que passei a saber explicar. Escrevo como amo e amo com a intensidade das palavras que uso.


São as palavras que me fazem amar-te e enquanto as tiver para ti, saberás que me tens!

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