Cigana moderna



É inevitável que se vá perdendo pessoas ao longo da vida. Estaremos com os outros apenas pelo tempo que nos permitirem e seremos da dimensão que nos fizerem. É inevitável que se arrumem lugares e sentimentos, direccionando vontades, porque o que foi ontem, poderá deixar de o ser hoje.

As perdas serão do tamanho que lhes fizermos e é a nossa capacidade de resistir a elas que nos molda o bastante para que não queiramos desistir de nós. As perdas chegam com o Adeus, aquele que se deve a quem fica para trás e assim o deixará continuar, fazendo o que lhe cabe por direito. As perdas implicam, de alguma forma, desistir, mas quando escolhemos perder, ou largar alguém, temos que saber aceitar que a perderemos mesmo, sempre e para sempre.

Certamente que conseguiste, algures num momento, ser o abrigo, a alegria e o sorriso de alguém, então agarra-te a cada momento e segue confiante o teu caminho, esperando ainda vir a passar e a sentir tudo outra vez.

Se não quiseres perder, outra vez, não te dês demasiado, não esperes demasiado e decididamente, não ames demasiado. Refreia-te, segura os beijos e beija apenas na proporção dos que chegam até a ti. Não uses demasiadas palavras, não assustes quem muito provavelmente não saberá o que fazer com a tua intensidade. As tuas perdas serão tão tuas, quanto souberes e fores capaz de "jogar". Se não quiseres perder outra vez, usa uma carapaça, ergue mais a cabeça e não resvales em sentimentos que apenas te deixarão a duvidar. As perdas são parte de qualquer processo de ganho. Se ganhaste algum amor, aceita que se vá quando se for e deixa que o teu se mantenha intacto e capaz de se moldar a quem volte a entrar.

As perdas só não podem incluir perderes-te de ti, isso nunca deverá ser opção!

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