As perdas...
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É inevitável que se vá perdendo
pessoas ao longo da vida. Estaremos com os outros apenas pelo tempo que nos
permitirem e seremos da dimensão que nos fizerem. É inevitável que se arrumem
lugares e sentimentos, direccionando vontades, porque o que foi ontem, poderá
deixar de o ser hoje.
As perdas serão do tamanho que lhes fizermos e é a nossa
capacidade de resistir a elas que nos molda o bastante para que não queiramos
desistir de nós. As perdas chegam com o Adeus,
aquele que se deve a quem fica para trás e assim o deixará continuar, fazendo o
que lhe cabe por direito. As perdas implicam, de
alguma forma, desistir, mas quando escolhemos perder, ou largar alguém, temos
que saber aceitar que a perderemos mesmo, sempre e para sempre.
Certamente
que conseguiste, algures num momento, ser o abrigo, a alegria e o sorriso de
alguém, então agarra-te a cada momento e segue confiante o teu caminho,
esperando ainda vir a passar e a sentir tudo outra vez.
Se
não quiseres perder, outra vez, não te dês demasiado, não esperes demasiado e
decididamente, não ames demasiado. Refreia-te, segura os beijos e beija apenas
na proporção dos que chegam até a ti. Não uses demasiadas palavras, não
assustes quem muito provavelmente não saberá o que fazer com a tua
intensidade. As tuas perdas serão tão tuas, quanto souberes e
fores capaz de "jogar". Se não quiseres perder outra vez, usa
uma carapaça, ergue mais a cabeça e não resvales em sentimentos que apenas te
deixarão a duvidar. As perdas são parte de qualquer processo
de ganho. Se ganhaste algum amor, aceita que se vá quando se for e deixa que o
teu se mantenha intacto e capaz de se moldar a quem volte a entrar.
As perdas só não podem incluir perderes-te de ti, isso nunca
deverá ser opção!


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