Nunca vais encontrar um amor como o meu, era o que te dizia quando achava que até sabia alguma coisa, porque a verdade é que nunca me disseste que o que precisavas era de alguém como eu. A minha intensidade deixava-te inquieto e sem saber como reagir a tudo o que tenho e sou. As minhas certezas aparentes aguçavam as tuas incertezas e ninguém gosta de reconhecer desníveis. Nunca procuraste um amor como o que te oferecei porque não era assim que o desejavas.
Podes até arriscar sentir a minha falta, mas deixaste de poder ser tu mesmo enquanto tentavas perceber o meu modelo e isso não te poderia servir, nem sequer a mim que apenas acabaria a ter algumas metades.
Nunca vais voltar a encontrar quem te ame incondicionalmente, mas como até querias condições em tudo e em cada movimento que parecia ensaiado ao pormenor, vais ficar bem. Precisas de quem te ame, mas queres sobretudo amar à tua velocidade, sem demasiado arrojo e tentando prever até a queda da chuva. Precisas de quem te entenda e permita liderar, mesmo que de forma frágil e pouco segura. Precisas de alguém que seja diferente de mim o bastante para já não precisares de mais nada. Precisas que te deixe ir...
Nunca vais encontrar um amor como o meu, mas nunca mais voltarei a repetir, a quem quer que seja, que o que tenho serve a todos e nunca mais aceitarei condições no que deve ser claramente entendido e vivido. Percebo agora que nunca vais entender quem foi que te tocou e fez sentir vivo outra vez, mas já te perdoei a distracção.

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