A mim!


Quero que me vejas a mim, que não precises de fechar os olhos e de a imaginar. Preciso de saber que estás inteiro, comigo, que sou quem sonhaste um dia, mas para isso terás que o permitir. Terás, por uma vez, que deixar de a ter nos teus braços quando é a mim que apertas, quando me afagas os cabelos e te sinto o olhar distante. Vou-te pedir, apenas mais esta vez, que me abraces forte quando me amares esta noite e que seja mesmo comigo. Se me erguer, se recuperar o que me tiraste e não pareces capaz de repor, então aí já será tarde.

Sentimos, mal nos vimos, que poderíamos ser um nós diferente, talvez mais arrojado e semi-louco. Sentimos a capacidade de querer para além do que querem os outros, debitando as palavras que apenas para nós fazem sentido. Sentimos, no instante em que nos beijámos, eu a medo e tu à descoberta, que o sabor era natural e que carregava uma memória que não identificámos. Sentimos, em todos os momentos de silêncio, que pouco seria preciso dizer, para que tudo fosse realmente dito.

Deveria ser a mim, mas se não consegues, perdoo-te, deixo-te ir e prometo que voltarei a ser amada como sempre esperei. Se não fores tu, estou preparada para o aceitar, porque já não parece doer, porque já sinto os meus pés firmes e capazes de me elevarem outra vez. Se não é a mim, devolvo-te o tempo que precisas para a teres de volta. Luta, corre, pede, implora, mas não desistas, porque por um amor assim, sei que o faria!

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