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Não sabia de onde vinhas nem ao que vinhas, não até te ver chegar, de passos firmes, mas tranquilo. O teu porte altivo e seguro quase que me intimidou. Há muito que nos olhávamos, quando nos cruzávamos nos lugares que parecemos frequentar ambos. A tua insistência e sorriso malandro fazia-me sorrir-te de volta, mas nunca, em nenhum momento, achei que nos iríamos alguma vez falar.

As coincidências, ou a falta delas, empurra uns quantos de nós para cantos de onde não poderemos fugir. Escolhi não pensar demasiado em ti, nem na figura dominante que me faz recear pela minha serenidade. Certamente que serias casado, ou comprometido, ou pior ainda, a ressacar de um qualquer amor desejado, mas mal correspondido. Certamente que serias inatingível e confesso não ter grande paciência para casos difíceis, guardo as minhas energias para quando preciso e a verdade é que preciso sempre.

Não sabia de onde vinhas, e muito menos que irias ter a coragem de parar, parando-me e impedindo-me de continuar a fugir.

- Já te vi há muito e tu sabes. Estavas à minha espera?
- Não somos nada convencidos...
- Podes largar a capa, não vais precisar de te proteger de mim, esse trabalho será meu, para te afastar dos que te rondam.

Não sei se acreditei ou se apenas me soube bem, por uma vez, encontrar quem pareça saber o que fazer comigo e por mim. Não sei ao que vou, ou se devo acreditar.

- Não franzas as sobrancelhas, dá-me a tua mão.

Não cedi, mas ela foi puxada com firmeza, até ao seu peito.

- Ouves o bater compassado? É tudo o que terás e muito mais se cederes.

Ainda não sei de onde veio o amor, mas se este é meu, então vou querer que me queira assim, como o estou a ter!

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