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Mensagens

A mostrar mensagens de Fevereiro, 2019

Incompatibilidade ou insegurança?

De que forma se lida com uma mulher que escreve? Mal, é o que se percebe, ou percebo eu, que volta e meia dou de frente com uns quantos quadrúpedes que se põem a tentar entender cada sílaba, quando já lhes é naturalmente difícil escutarem o que quer que seja que acabem a ouvir. Não somos, obviamente, melhores do que as restantes mulheres, graças a Deus, mas temos uma exigência natural que é agravada pelo uso "exagerado" de palavras. A mulher que escreve parece ser incompatível com o resto do mundo masculino, a prová-lo as constantes avaliações e consequentes decepções. Se os ditos cujos preferem acreditar que existe sempre algo sublimado, quem somos nós para o desmentir, mesmo que o façamos frequentemente? Será total incompatibilidade perante o raciocínio rápido e pleno de conteúdo, ou insegurança no discurso que deve fluir, ao invés de ser estudado? Não compreendo o medo agravado das palavras. Não tenho forma de encaixar a dificuldade em articular o vocabulár

O melhor que o amor tem...

Certamente  que o meu melhor não será o teu.  Certamente  que a forma como o meu coração bate não se encaixa na batida do teu.  Certamente  que o que espero e desejo não tem os mesmos contornos, os teus. O melhor do amor  é sem qualquer dúvida a capacidade que temos, cada um de nós, de amar à nossa maneira. Não existe certo nem errado, existe desejo, vontade e capacidade de lutar com mais ou menos força. Todas as medidas estão dentro da medida, porque todos os amores são válidos, sobretudo para quem ama.  O melhor do amor  é podermos jurar a pés juntos que amamos mais, que somos capazes de mais e que daremos mais, apenas porque somos nós a amar.  O melhor do amor  é a força com que ele chega, capaz de derrubar muros e de entrar mar dentro.  O melhor do amor , enquanto há amor, é a sensação de que somos invencíveis e conseguimos tudo o que jurámos fazer. Talvez  eu ache que o teu amor não me basta por sentir que nunca chegou lá e que foi apenas uma paixão desenfreada, mas

O que seria de mim...

Como é que me voltaria a pôr de pé se a tua falta física fosse para sempre, se nunca mais te pudesse tocar e se soubesse que saber de ti jamais seria possível? Arrepiei-me apenas com a ideia, porque sinto que passamos metade do nosso tempo a achar que tudo ficará no lugar certo, e que teremos forma de resgatar o que perdemos, mas se for para sempre, se nunca mais tivermos como nos olhar, e se acabarmos onde começámos, à procura um do outro, como é que poderia resistir? Tanto que já tivemos, mas tão pouco ainda que perder-te irremediavelmente, seria perder o pedaço maior de mim, e isso sim seria difícil de suportar. Ainda consigo saber ao que cheiras, como te moves e de que forma me abraçavas. Agora ainda poderia reservar-me a um momento de loucura e ligar-te a implorar que me escutasses, que aceitasses aceitar-me. Mas se te fosses para sempre, se o teu corpo se consumisse para permitir a saída de uma alma que não poderia continuar aqui, sei que enlouqueceria, sei-o porque me

O que é certo afinal?

O que corre de igual forma dia após dia? O que podemos esperar do amanhã, que seja como hoje e que se torne previsível?  O que é certo afinal ? Alguns dirão que nada quando é tanto o que não controlamos. Outros viverão na eterna recusa do futuro, achando que o poderão antecipar e viver quando chegar. Gostava de te ter guardado numa jarra transparente, para te ver e poder manter no mesmo lugar. Gostava de saber, com alguma certeza, do que te falaria se eventualmente nos falássemos, mas a verdade é que sei tão pouco do que queria certo, como é incerto aquilo de que gostarei amanhã... O que é certo afinal se nem o amor permanece? Sinto que a vida me escapa e que pouco faço para fazer diferente. Sinto que preciso de ser alguém por quem se espera, mesmo que não espere nada de ninguém. Não pareço estar por aqui, de corpo presente, até quando falo e digo o que aparentemente conta. Não me alheio o bastante, porque não mo permito, mas queria permitir-me um alheamento que me co

Quero olhar-te outra vez!

Olhar-te . Ter os meus olhos nos teus outra vez. Sentir-te sem te tocar, respirando de forma descompassada. Olhar a boca que desejo na minha, que preciso de ter para me recompor, para ser eu, a que te quer como já aprendeu. Tenho que te voltar a olhar e a entender porque me recuso a tirar-te... Hoje estou de alma cinzenta, com medo de não receber o que tanto preciso de ti. Hoje acordei com medo e insegura, sem me querer mexer muito, para parar de pensar, para não sentir, sobretudo a tua falta. Hoje entendo que se deva ir devagar, mas entende também tu, homem da minha vida, que à tua velocidade já nos teríamos perdido e que quando se quer muito, tem que se correr, porque caminhar rápido não chega. A vida acelera-nos, cobra-nos, não espera pelas indecisões e segue em frente, arrastando até os que pareciam resistir-lhe. Quando parecemos ter encontrado quem nos toca dentro, precisamos de parar de perguntar tanto e de responder mais.  Não é assim tão comum que se esbarre na pes

Por vezes não sabemos o que importa!

A gravidade trás, supostamente, equilíbrio e firmeza no único lugar onde é suposto estarmos, no chão. A gravidade  trabalha sempre para nós, porque nos puxa para baixo e nos impede de subir demasiado rápido, até porque a queda seria bem maior. A gravidade a dobrar, a minha que me carrega e a tua que me impede de andar direita, deveria manter-se longe, para que eu te mantivesse onde preciso, aqui. Por vezes precisamos de quem nos assegure de que estamos no formato certo. Por vezes, na maioria dos nossos dias, precisamos do que é familiar e seguro porque a linguagem é corrente. Normal, porque é da normalidade que nos alimentamos, mas igualmente movimentado e a revolver-nos num turbilhão de vontade, para que nos mantenhamos vivos. Por vezes não há nada que nos possam dizer para que até nós façamos sentido. É muito mais o que nos separa, agora, do que alguma vez nos uniu e por isso mesmo deixámos de nos completar. É o lugar de cada um que nos faz querer um lugar diferente.

Vais ter que decidir...

As decisões que parecem mudar tudo à nossa volta, nunca serão fáceis.  Decidir  quando o que nos apetecia era deitar e dormir, deixando para amanhã, é o que " mata " muita gente e as impede de prosseguirem. Decidir  que se estamos mal devemos mudar.  Decidir  que se parámos de amar devemos deixar ir.  Decidir  que se encontrámos quem nos pode dar o que tanto esperámos, deveremos mantê-lo.  Decidir  que somos nós os mais importantes, para que o entenda o outro, conferindo-nos poderes. Decidir o que dizer, quando nada parece resultar. Decidir da importância dos que importam para nós, leva tempo, mas deve ser feito. Quando se decide quem deverá ficar, todos os processos que se seguirão, chegarão de forma automática. Quem irrompe por nós dentro e nos recorda o que até já teríamos esquecido, deve ser mantido, cuidado e amado, sem que arrisquemos desistir à primeira.  Tanto  que há para fazer quando deixamos de ser apenas nós.  Tanto  que passamos a ter que ver, com