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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2019

Dilemas...

Estamos a cada dia mais determinados, mas mais sozinhos. Já não parecemos procurar a nossa metade, talvez porque tenhamos entendido que somos um só e completos, mas estamos decididamente mais solitários e desconfiados e impacientes e inflexiveis. Já não procuramos aprovação e estamos onde nos fazemos falta, mas passamos o tempo útil a falar do que ainda não temos e parece ser sempre tanto quando somos apenas nós. Estamos constantemente a planear o que nos deixa mais livres, mas sentindo-nos invadidos por uma prisão emocional que nos sentencia sem qualquer pena determinada. Já não usamos o "nós" vezes que bastem e o "eu" chega a ser exaustivo e revelador de enorme insegurança. Estamos em constante fuga e assumimos que a dependência nos enfraquece, no entanto não parecemos mais fortes, não aos nossos olhos. Já não dividimos o importante, mas subtraímos o que multiplicaria o outro. Estamos mais egoístas e incapazes de olhar e ver, mas querendo e esperando ser vi

Ser e fazer para ter!

Comecei por ser e ainda não sou o suficiente, mas desde que me reconheço, o ser passou ao fazer . Quero fazer mais, melhor e de forma mais célere, mas sem apressar o que tem o seu ritmo. Já sei quem sou e o que faço para continuar, mas quero ter e ainda me falta muito. Ser permite-me fazer o que amo, tendo muito mais paz e discernimento. Ser quem faz sentido, impede-me de fazer o que não me identifica ou melhora. Ser por norma leva muito tempo, para alguns toda uma vida, mas ser é o que ainda faz sentido e nos carrega com o que nos impede de desistir para poder construir, ou reconstruir. Fazer já faço, à minha maneira e ao meu ritmo. Fazendo forço-me a continuar pelos caminhos, mesmo que os mais duros e longos. Mas fazer bem feito continua a ser possível porque já sou. Sou sobretudo a minha mentora, coach, impulsionadora e motivadora. Só fazendo esbarro no que já sou. Só sendo consigo fazer o que me levará a ter . Ter e não apenas coisas, faz-me sentir bem

Ai a química...

Isto da  química  entre homens e mulheres, ou existe, ou nunca acontece. Podemos falar com alguém mil vezes e nunca sentir nada, ver ou querer nada, mas de repente, do nada também, estamos com alguém aparentemente até muito diferente de nós e pumba, acontece e a tal  química  vem ao de cima. Não se controla, não se distingue e pior do que tudo o mais, não se apaga, nem se consegue fugir. Já me aconteceu, por isso sei do que estou a falar! Os opostos atraem-se, ou nem por isso. Os semelhantes, com percursos idênticos e os mesmos gostos também poderão envolver-se mais facilmente, mas seja lá o que for que aconteça, à química ninguém resiste, mesmo que depois surjam tempestades devastadoras. O raio do coração já nos dá imenso trabalho e nem sequer faz caso da razão, agora juntem a tudo isso a  química  e o desejo infundado, mas tão louco que a verdadeira loucura seria fugir dela. Se foi  a química  que nos juntou, talvez a física tenha posto tudo no seu devido lugar. Se foi

Deixa de lado quem se pôs de lado!

Deixa de lado quem se pôs de lado . Segue com a tua vida. Aceita que nem todos ficam e fecha as gavetas nas quais puseste o que já não precisas com uma chave, rodando-a até ao fim. Deixa no  passado  o que o teu  presente  rejeitou e o que não terá forma de seguir para o  futuro , porque o percebeste mal aconteceu e se o rejeitaste foi porque fazia sentido assim. Deixar de lado quem se pôs de lado  é apenas bom senso, determinação e respeito por ti mesma, por isso nunca te arrependas de escolher o que está certo e de aceitar que existem pessoas que nunca serão as que precisamos. Elas virão, talvez para nos testar, mas irão tão depressa quanto chegaram, porque lhes faltava o essencial, faltava-lhes serem capazes de se comprometerem com elas mesmas e connosco.  Quem  não nos vê não nos pode querer.  Quem  diz não estar preparado, não o está mesmo, por isso deve ser libertado do peso de ficar por quem conseguiu ser o que já sabia ter.  Deixar de lado quem se pôs de lado  deveri

A vida em códigos!

Se soubéssemos e entendêssemos  mesmo  a vida com cada um dos códigos com que nos " presenteia " diariamente, certamente que as nossas escolhas seriam mais acertadas. Se houvesse forma, e talvez até haja, de nos entendermos, a nós e a todos quantos vão surgindo nem sempre por escolha nossa, quem sabe alguns dos dramas não passariam apenas a ser momentos difíceis. A minha experiência, aquilo que aprendi e o que me trouxe até onde estou hoje, não será a tua e muito dificilmente conseguirás encaixar os passos que tive que dar, nos teus.  Os teus   códigos  são outros e as tuas escolhas levar-te-ão mais ou menos longe, assim o desejes. Tanto que nos falam na força, mal começamos com os primeiros passos e ainda bébés, mas a diferença é que aí e durante algum tempo, teremos as mãos que segurarão as nossas e os olhares que guiarão as nossas escolhas momentâneas, levando-nos onde acreditam ser mais certo e seguro. Ter força, mantendo-a para quando nos fizer mesmo falta, isso

É no teu olhar...

É no teu olhar  que me vejo e sei o que te passo.  É no teu olhar  que sei o que te sentes capaz de fazer para que fique do teu lado.  É no teu olhar , que até me serve de espelho, que tempo após tempo sinto o que somos ambos capazes de fazer. Deixar-te ir nunca será opção, porque estaria a desistir de mim e do que passei a ser por tua causa. Fechar os olhos, neste momento, apenas para desejar que cada um dos meus desejos se realize. Parar de fazer o que te carrega, abandonando o corpo que apenas se move na tua direcção, seria parar de me mover, de me sentir e de me querer. Não quero deixar de te ter. Não posso, já não, abandonar o que comecei quando tu recomeçaste connosco, com a mulher que acreditavas existir. Não posso continuar o percurso sozinha, já não faria sentido nem teria o mesmo sabor. Não quero largar a tua mão, porque a minha encaixa-se de forma tão perfeita, que não serve a mais nenhuma. É no teu olhar  que sei, com toda a certeza, que tenho quem mereço e

O tempo no meu tempo!

Tenho que manter o  meu tempo , aquele em que sou apenas a que faz o que apenas eu sei fazer. Tenho que moldar o  meu tempo  para que até as mudanças me mantenham real, não permitindo que me mude demasiado, para que o  tempo  continue a correr a meu favor. O tempo no meu tempo  é muito próprio, é o tempo de quem foge para um universo paralelo do qual muito poucos fazem parte. É no  meu tempo , aquele que uso para me libertar das palavras que a serem aprisionadas me consomem, que me redescubro e passo a ser de um formato que nem sempre me é familiar. Sou de uma característica que já me assustou pela impossibilidade de encontrar correspondência com quantos privam comigo. Sou tão estranha quanto consigo estranhar o que construo, mas completamente familiar para mim, porque me dou nas palavras, embrulho-me nos desejos e satisfaço-me com o que crio. Sou tudo o que vem bem de dentro de mim, sabendo quando saio do meu tempo, que se torna difícil para os que me são próximos entenderem

Era uma vez...

Era uma vez , num lugar cujo nome importa pouco, uma mulher com um nome igualmente sem importância. A mulher que ninguém via, não porque fosse pouco interessante, mas porque não se importava o bastante com nada que a envolvia. Achava que lhe bastava ser ela mesma, decidir, sozinha cada passo, tomando nas suas mãos o poder de recusar de não querer e de não olhar.  Era uma vez  mais uma alma, daquelas que acredita não precisar de se dar, porque ninguém estará pronto para a receber. Vai ficando no final da sua própria linha, mas na frente do que conhece, apenas ela, sempre ela, numa solidão que a envolve e confunde, mas da qual não consegue sair.  Era uma vez , num tempo que é este e que supostamente seria para quem já aprendeu a viver, uma vida que se vai perdendo, dia após dia, num vazio cheio de todos os barulhos que os outros criam e que ela acabou a aceitar.  Era uma vez  um amor que não conseguiu ver nascer, porque nunca o soube reconhecer. A promessa de nunca depender de

Matar a lembrança!

Matar a lembrança  é morrer de cada vez que o fazemos. Matamos de forma tão rápida quanto possível, o que nos lembra cada sorriso, cada palavra e os inúmeros desejos e sonhos quebrados.  Matamos  até os pensamentos... Se ao menos eles se deixassem morrer, mas recusam-se, estóicos e armados em cavaleiros montados em cavalos brancos, altivos e prontos para qualquer batalha. O depois , o momento em que se ouve ou diz um não, inicia o processo longo, bem mais demorado do que o sim que se acabou a proferir, sem saber como saiu, de onde veio e o que o motivou. Apagar, riscando com uma borracha emocional, o que não fomos capazes de manter, carrega uma dor que rasga, que culpa e que nos cobra até o novo respirar, porque na verdade passamos a respirar de forma diferente, sozinhos, descompassados e sem outro som que não o nosso.  Matar a lembrança , cada lembrança, mata-nos inevitavelmente e leva de volta a esperança que se instalara, o desejo que regressara, vivo e alerta de sermos d

Tudo é possível quando se ama!

Tudo é possível quando se ama , e passível de ser mudado sempre que o amor tem a dimensão e peso certos. Nada, mas mesmo nada é obstáculo se nos soubermos ler e entender, partilhando uma linguagem que se encaixa no que serão ambos e cada um. Por isso e sem qualquer reserva, aguardo por quem chegará a saber exactamente como se encaixar, o que fazer e quando, para que também eu o faça e suprima os medos que agora desejo afastar. Tudo é possível, até mesmo dividir espaços já defi nidos e lugares que antes nos cabiam por inteiro. Tudo pode ser revertido quando recebemos quem passa a ter a importância que já nos atribuímos. Tudo é fácil e natural quando temos vida, sonhos que perseguimos, sem desistir ao primeiro embate e sobretudo quando olhamos para os que triunfam e se mantêm de sorriso aberto. Tudo é possível quando se ama quem nos ama de volta, sem qualquer reserva e reservando-se o direito de ir até onde o outro precisa para que a confiança, o respeito e a partilha sejam