A irracionalidade!



A desconfiança e o medo de sermos enganados leva-nos à irracionalidade e à procura de fantasmas até onde não existem!

Isto de se ver esqueletos no armário pode transformar-se numa patologia grave, por isso é que quero ver se não necessito de choques elétricos. A verdade é que uma vez enganados, para sempre desconfiados, porque somos todos feitos de uns quantos fantasmas e de inseguranças que mantemos para lá da vida adulta. Cabe-nos, no entanto, perceber se serão apenas fruto da nossa incapacidade em confiar, ou se estamos irremediavelmente danificados. Precisamos de tentar ver para além de nós mesmos, dando aos outros a possibilidade de se mostrarem como são e de nos conseguiram assegurar da sua fiabilidade. 

Não gosto da sensação de não acreditar. Não gosto de olhar de soslaio e de me sentir amarga e descrente. Não gosto de incluir o meu passado, o tempo todo, no presente que estiver a construir, porque disso dependerá o meu futuro. Não gosto de marcar a ferro quente quem não conheço o suficiente para julgar. E do que não gosto mesmo, é de que me avaliem pelo que tiveram da vida.

A irracionalidade não se coaduna com amores sinceros nem reais, ela está bem mais associada a arrependimentos e aos recuos inerentes a quem não sabia por onde estava a ir nem com quem. A irracionalidade é quase que uma desculpa para camuflar a falta de sentimentos genuínos. A irracionalidade é a dúvida sobre nós mesmos e sobre o que somos capazes de proporcionar ao outro. 

Nada mais irracional do que passar a desconfiar até da sombra e é por isso escolho, racionalmente, nunca deixar de olhar para o que já vi, entendendo o som de cada palavra que acabei por ouvir.

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