De que forma consigo apreender o  meu novo eu? Como é que passo a gerir o tempo que agora sobra e que é inteiramente meu, quando o mesmo se afunilava e quase que me impedia de respirar? Quem sou, ou o que posso ser afinal, se aparentemente já posso ser tudo?

Tudo o que é nosso chega, sobretudo o tempo, basta que saibamos como nos conduzir, aguardando pelo momento em que os momentos dos outros os absorverão o suficiente para que nos deixem mais livres. Tudo o que semeamos será colhido e o modo como acabarão por florescer tem a ver com a nossa dedicação e empenho.

Há meio século que cuido dos outros, olho para o lado de lá de mim e aguardo pelos meus momentos, sem demasiada pressa, porque sabia que chegariam. Passei do auge da ansiedade e da urgência, para o silêncio instalado e por rotinas que me visam fundamentalmente. Tenho que me saber redireccionar, recuperando o que tinha na lista, mas que agora se pode tornar realidade. Preciso de ligar botões há muito esquecidos e assim recuperar a mulher, não que ela tivesse deixado de existir, mas agora está claramente mais viva.

Quem posso ser agora? Será que posso mesmo tudo e o desejo, ou vou simplesmente reajustar-me de forma tranquila e sem pressas? Acredito que as respostas irão chegar quando me fizerem falta!

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