Quem somos agora, nós as mulheres? Qual é o formato actual afinal? É que não nos parecemos com nada remotamente próximo, bem, pelo menos de mim que já passei a barreira dos 50.

Estamos num Domingo chuvoso e estou a papar filmes uns atrás dos outros, já para não falar dos shots de açúcar, é o que dá ser sozinha e livre para fazer até más escolhas. Mas voltemos aos filmes, já não me consigo identificar com os modelos de novas mães, nem sei o que as move. Cansam-se de tudo. Querem mais do que conseguem dar e é um facto que dão tão pouco. Estão num constante malabarismo entre a vida pessoal e profissional, tal como estivemos desde que saímos para o mundo, mas agora com mais dramas. Querem seguir as normas da sociedade, parecendo o que não sabem ser, talvez porque se tivessem esquecido de lhes ensinar e não se estão a sair nada bem.

Os resultados estão à vista. Maternidades adiadas e casamentos relâmpagos. Percebo essa parte, juro que sim, até porque acabei a fazer parte das estatísticas e desisti do juntos para sempre, mas pelo menos fui resistente por um quarto de século. As mulheres querem sê-lo em primeiro lugar  e com mais autonomia, mas continuam sem saber como. Mas vou-lhes confidenciar algo valioso, uma vez mães, para sempre mulheres em segundo plano.

Não reconheço as mulheres de hoje e nem sequer estou a afirmar que são piores agora, apenas deixei de saber a que grupo pertenço. Não sei quem está a falhar tanto, porque a realidade apresenta-se ainda mais negra para cada uma.  Gostaria que pudessem apenas usufruir, é que ser mulher tem um tempo que nenhum tempo poderá consumir, nem mesmo o de mãe...

P.S. A epifania veio depois do filme "Mãe em apuros"


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