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Quantas voltas dá a vida?


Já tiveste o olhar que me prendeu e fez viajar no brilho que jurava conseguir ver. Já te fiz grande, cheio de boas intenções e capaz de me querer mais do que a qualquer outra coisa na vida. Já te vi para lá dos sonhos que sonhei de forma ininterrupta, sentindo que chegarias e chegaste. Já te amei e desculpei a falta de um amor igual. Já te pus à frente do meu lugar principal, mas finalmente acordei.

Quando paramos de desculpar o indesculpável e nos abrimos para os outros ângulos, os que na verdade estiveram sempre lá, sentimo-nos mais capazes, hábeis e resistentes. Quando desistimos de esperar pelo que não terá forma de acontecer, porque cada um carrega o que tem dentro, retomamos a viagem e paramos de nos segurar, porque o universo quer-nos em movimento e em constante crescimento. Quando usamos a razão a par da emoção, equilibramos os desníveis e afastamos os que de alguma forma, consciente ou inconscientemente, nos tentam anular. Quando conseguimos ler nas entrelinhas, percebemos que nos limitámos a criar quem nunca existiu.

Viver não carece de riscos emocionais ou físicos e talvez por isso mesmo seja tão incrível aprender a andar por aqui. Faço questão de atingir a mestria o mais breve que puder, evitando sentir-me qual rato na roda que nunca leva a lugar algum.

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